Um mestre entre nós
Eclético e virtuoso, Mário Conde é referência quando se fala em guitarra jazz
Edson Camargo Alves
Ele nunca pensou em ser outra coisa na vida. O negócio dele sempre foi a música. E desde que começou a tocar, aos 11 anos de idade, lá na cidade do Rio de Janeiro, jamais pensou em parar, e hoje, aos 38 anos de idade, e morando em Curitiba, o guitarrista Mário Conde é sem dúvida o principal nome da guitarra jazz no Paraná.
Conde começou no violão, e logo passou a estudar as peças do repertório contemporâneo do violão clássico, que pela complexidade harmônica e instigantes concepções musicais, logo cativaram seus ouvidos.
O guitarrista conta que as aulas e a influência de seu próprio padrasto, o maestro Jaime Ribeiro, foram fundamentais para sua formação musical. Com ele, Conde aprendeu princípios de harmonia e improvisação, a leitura de partituras, divisão rítmica, sempre mantendo o enfoque sobre a música brasileira em suas vertentes mais sofisticadas. Nesse período, também teve suas primeiras aulas de guitarra com o professor Alexandre Valadão. Confessa que gosta muito de choro, e estuda cavaquinho até hoje.
Aos 16 anos, veio para Curitiba, passou um longo tempo estudando sozinho. Seu primeiro trabalho artístico aqui foi com o grupo de choro Quadro, que baseava seus repertório nas composições de Pixinguinha. Fez parte também da banda Sotak, na qual, junto a Paulinho Branco (saxofone), Endrigo Bettega (bateria), Mauro Martins (baixo) e Marília Branco (teclados), Conde tocava “música instrumental brasileira”, também com fortes influências jazzísticas. Foi com a Sotak que o guitarrista gravou seu primeiro cd, “Sotak”, gravado na Suíça, onde viveu alguns anos. Lá, participou do conhecido Festival de Montreux com o grupo Impacto Impar, em cuja formação também estava Endrigo Bettega e Mauro Martins, além do baixista Glauco Solter, que trabalha em muitos projetos com Mário Conde. Com Glauco e Jefferson Sabbag, tecladista, integra atualmente o grupo Tocaia que acompanhou o saxofonista Raul de Souza no “Chivas Festival 2004” e tem seu primeiro cd “Tocaia” lançado pela gravadora Movie Play. Conde também tem participou do mais recente álbum do Dr. Cipó, de choro.
Reconhecimento
Conde conta com o prestígio e respeito entre os músicos da cidade, não só pela respeitável carreira, experiência e formação musical sólida, mas por ser uma pessoa simples, que prefere mostrar serviço que falar de outros músicos. Também é reconhecido como um ótimo professor de guitarra e violão, instrumento que, confessa, voltou a dedicar parte do seu tempo de estudo quando morou e trabalhou na Europa. “Muito fera”, “animal” e “sabe tudo!”, são algumas das expressões mais comuns que saem da boca de colegas e alunos, e que denotam bem o que representa o trabalho de Mário Conde junto à cena musical curitibana. “Não adianta, o cara é unanimidade e seu currículo é imponente”, afirma o guitarrista Marlon Carvalho. João Carlos da Silva, professor de guitarra e violão há mais de 20 anos tem opinião parecida: “Mário Conde é referência na cidade quando se fala de jazz e música brasileira”.
Influências
Quando pedido para citar seus guitarristas preferidos, ele diz que já estudou tudo dos grandes nomes do jazz e do fusion. Conhece muito bem o trabalho de Pat Metheny, Allan Holdsworth, Scott Henderson e diz que por numa certa época, quando escutava muito rock progressivo, as linhas de Steve Morse também fizeram parte de seus estudos. Faz questão também de citar entre seus favoritos Nelson Veras e Ademir Cândido, guitarrista brasileiro atuante em solo europeu, que Conde adianta que há planos para tocarem juntos num futuro próximo. Mas sua principal influência musical, admite Conde, é o genial Hermeto Pascoal, que também mora em Curitiba atualmente.
Futuro
O músico pretende lançar em pouco tempo um álbum com todos os temas de sua autoria que gravou ao longo dos seus últimos 12 anos de carreira. Percebe que o mercado da música instrumental desperta ainda pouca atenção no público local, mas vê que com o grupo Tocaia, integra a linha de frente da cena curitibana desse gênero musical. “Em Curitiba, o mercado está fraco, é complicado”, comenta Conde, “mas mesmo o número de admiradores do chorinho está crescendo”, afirma otimista, esse amante de massas e da investigação séria dos mistérios da música e da guitarra.
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