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Opinião

Colisão e queda da ética na imprensa 

Novembro 22nd, 2006

Por Marina Gallucci, Marina Portella, Rodolfo Stancki e Wellington Sari

O desencontro de informações na cobertura jornalística pode ter várias causas. O acidente com o vôo da Gol não é a primeira e nem será a última das grandes gafes da imprensa brasileira. Jamais se deve esquecer de como a mídia é “distraída”, como cai em ciladas tão convenientemente, como “esquece” de publicar denúncias que podem contrariar suas opiniões políticas e, “sem muita opção”, beneficia-se de algumas dificuldades para subir sobre outros veículos, por assim dizer, censurados. Como sempre, tudo em busca de ibope.

Qualquer curso de jornalismo, por pior que seja, ensina a seus alunos a importância de um mínimo de consciência ética. É preciso sempre apurar a veracidade dos fatos, tomar cuidado com as fontes, evitar confrontos de “verdades”. Quantas vezes as situações não são investigadas até sua raiz? Quantas vezes se publica algo com domínio de uma certeza absoluta? O que muitas vezes se observa é a ânsia de dar “furos” de reportagem, de noticiar antes, de ter um mérito que faça o público correr para que se esgotem as edições dos jornais e revistas, de ter um número altíssimo de visitas no site e atingir a maior audiência possível no jornal das oito. O público tem começado a perceber a maior “furada” que é a cobertura de fatos de tanta repercussão, mas, mesmo assim, não deixa de crer nas “verdades” que são transmitidas.

Parece que assuntos que rendem tantas suítes como esse, sempre acabam com um monte de especulações, distanciando-se da busca de credibilidade nos fatos. Resultado: o público irá cansar-se da notícia e crerá que tudo não passa de uma palhaçada. Caso isso não aconteça, haverá sempre lugar para jornais que promovam políticos e alienem a população.

9 Respostas para “Colisão e queda da ética na imprensa” You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed.

  1. Marina Portella Comenta:

    Sobre a cobertura dos alunos na Semana de Comunicação acho que tivemos pela primeira vez um contato com o cotidiano de um jornalista. Prazos curtos a cumprir, furos a cobrir, e tudo isso feito de forma adequada, já que tive o privilégio de ler todas as matérias publicadas sobre o Evento.

    Falta aqui porém, uma maior manifestação das pessoas quanto aos seus interesses. Falta um jornalismo mais voltado para a nossa faculdade, a nós mesmo alunos, apesar de não ser a inteção do site do Palavra Digital.

    As matérias estão abrangendo todas as áreas de atuação de um jornalista, estamos aprendendo a nos familiarizar-se com entrevistas, e, o maior aprendizado, com certeza foi perder o medo de errar ao fazer perguntas em uma entrevista aos figurões jornalísticos.

    Falando em prazos, apesar da eficiência na produção das matérias não se pode generalizar. Este talves seja um dos aspectos em que mais temos que melhorar.

  2. Karoline de Souza Comenta:

    O caso do acidente aéreo com o avião da Gol 1907 mostrou claramente como o jornalismo deixa a sua seriedade de lado ao “narrar” fatos importantes para a sociedade.
    A imprensa de um modo geral foi mesquinha e até mesmo prepotente ao passar informações que ainda eram incertas, informaram por informar. Não houve apuração dos fatos, as fontes eram fantasmas, nada era certo, acusou sem provas e a cada minuto que se passava existia um culpado, uma versão do acidente.
    É incrível como todos os preceitos do jornalimo foram deixados de lado pela simples sede de ser o primeiro a cobrir um fato tão trágico da história da aviação brasileira. A imprensa não soube lidar com a situação de caos, pelo contrário, colocou mais lenha na fogueira, deixaram os familiares cada vez mais aprensivos com a espera de respostas.
    Agora devemos nos perguntar para que serve a imprensa realmente: para divulgar fatos concretos a sociedade, ou para competir entre si quem é o mais rápido a divulgar um acontecimento?
    Ultimamente os meios de comunicação perderam o respeito com a sociedade, a informação passou a ser uma arma de disputa, não mais de democracia. É preciso que a imprensa fique um pouco calada, para evitar erros como ocorreram no caso do acidente aéreo.
    O que está em jogo numa situação dessas é a vida, a dor, o desespero, os sentimentos de cada pessoa envolvida direta ou indiretamente no acidente, a imprensa não tem direito de intervir nisso, esse não é o seu trabalho e muito menos o seu dever.

  3. Lucimara de Souza Savi Comenta:

    Ao contrário do que muitos acreditam, o acidente já deixou de ser notícia e passou a ser apenas meras especulacões. E quase que impossível assitir os programas notíciosos sem ficar chateado pelas repeticões de reportagens. Até mesmo os parentes da vítimas concordam que o caso está indo além do necessário.Assuntos que são mais importantes ou que a populacão gostaria de ter mais acesso estão sendo deixados de lado, como é o caso da comediante Nair Bello, que se encontra internada em estado grave. Isso não quer dizer que a populacão está mais interessada na doenca de um do que na morte de 154 pessoas, mas o fator que era importante já foi anunciado, enquanto o estado de saúde de uma das mais conhecidas e experientes atrizes brasileiras é menosprezado. Ir contra os seus princípios é o que tem feito a mídia, uma vez que deixa de ser a propagadora de assuntos relacionados ao interesses sociais e passa a fazer sensacionalismo. Programas televisivos aparecem denegrindo a imagem da família e dos cidadãos brasileiro, mas isto acontece porque o povo gosta de ver. Os números do Ibope mostram que milhares de pessoas dispõem do seu tempo para ver “barraco” e casos de família, pois acaba se tornando piada.
    Um recente caso mostra perfeitamente o que a mídia pode fazer nos indivíduos, caso este em que a CNN, uma das maiores redes de televisão do mundo, está sendo processada pela morte de uma mulher que se suicidou após ter sido entrevistada em um programa sensacionalista que a acusava de ter matado o filho que há algum tempo havia desaparecido.
    Mais de nada adianta falarmos que a mídia está corrompida e apenas aceitarmos. A cada ano um número elevado de novos profissionais em jornalismo e comunicacão é lancado no mercado de trabalho e estes devem estar atentos e cientes da real decadência da profissão e preparados para as transformacões que precisam ocorrer.

  4. Dani Carneiro Comenta:

    Opinião sobre a coluna “Formação - Novos livros de jornalismo esportivo”: - Fica a sugestão para que nos próximos semestres os alunos possam fazer textos críticos ou artigos sobre os livros jornalísticos lançados naquele período. Além de estimular a leitura, é possível exercitar o conteúdo aprendido nas aulas do professor Emerson de Castro durante o terceiro período [artigo, crítica, comentário]. Com essa prática também é possível oferecer ao leitor do Palavra Digital um conteúdo mais rico, de forma bem mais interessante que uma notinha. Através de um artigo instigá-lo a ler [ou não] determinado livro, estimular a curiosidade e levar o leitor a procurar o livro. Coisa que não é possível através de notinhas com menos de mil caracteres produzidas por dois alunos, que é bem menos do que somos capazes e devemos produzir.

  5. Rodolfo Stancki Comenta:

    Embora eu tenha sido um dos autores do editorial dessa semana, convém neste momento que eu me mostre menos pessimista para não ocasionar mais desistencia em nosso tão sofrido curso.
    Não acredito que estaremos em uma enrascada sem ética e sem futuro assim que entrarmos no mercado de trabalho, e certamente não preciso de nenhuma prática para dizer que a mídia não está tão desacreditada quanto dizem. Embora uma boa comparação e3m todos os jornais não fará mal a ninguem durante a necessidade de se ter um dominio sobre o assunto. A ética sim é um problema. E dos graves. Temos de tomar muito cuidado quando sairmos daqui. Nosso meio profissional necessita de sangue novo, que preserve bons tempos e que ainda assim traga novos (obviamente que não me refiro a atitudes e opiniões conservadoristas porparte da mídia).
    Ainda teremos muito trabalho pela frente. O mercado será complicado, mas o mais importante certamente estará por nos encontrar, se isso for o que realmente desejamos. Ética caros colegas! Ética! Não se espera que uma pessegueira de muitos pessegos em seus primeiros anos, como já dizia um antigo professor de fotojornalismo, mas pelo menos que tenha seus objetivos claros de ter pessego e não os venda a quem pagar mais. Depende de nós, somente.

  6. i Isabele Treglia Comenta:

    b Comentário sobre a matéria do acidente com o vôo da Gol.
    Bom, esse foi um tema que paralisou o mundo e principalmente os meios de comunicação – jornais impressos, em especial a televisão – que não pararam de buscar explicações para o acidente.
    Na minha opinião, acho que o papel da imprensa nesse momento é fundamental, no sentido de fazer perguntas precisas, questionar lacunas, dar voz a especialistas que estejam fora do sistema de controle nacional e, sobretudo, dar mesmo espaço aos parentes das vítimas que, de modo justo, lutam pela criação de uma comissão livre internacional para participar da investigação. Da mesma forma, a palavra deve ser dada aos acusados (embora não oficialmente, mas já pela imprensa), os pilotos americanos.
    Até porque as vítimas do acidente não poderão se acidentar novamente, mas nós, sim. E, no fundo, é isso que a comissão de parentes, a opinião pública e a imprensa devem buscar: a certeza de que o nosso espaço aéreo seja de fato seguro.

  7. dSergio Bello Comenta:

    Sempre que a palavra ética entra em qualquer tema, ela torna-se sinônimo de pelo menos contrariedade. É muito fácil falar em ética quando você encontra-se fora de uma situação. No caso do jornalismo investigativo, muitos moralistas acham e muitas vezes julgam uma matéria. As críticas geralmente são pesadas quando algum crítico comenta a falta de ética para conseguir uma fonte ou um furo de reportagem.
    O que todos esquecem é da importância do mundo capitalista e competitivo em que vivemos. As cobranças em um jornal, por exemplo, são imensas para a obtenção de uma matéria de impacto e muitas vezes causam aos jornalistas o desconforto de conseguirem algo a qualquer preço, sob a batuta de terem seus cargos ameaçados por editores quase sempre sedentos por suas cabeças.

  8. Marina Gallucci Comenta:

    Com certeza as exigências das empresas e do “mundo capitalista” sobre os jornalistas, fazem com que esses não tenham muita saída. Os jornais têm que vender e os jornalistas produzirem matérias de impacto. No entanto, até que ponto isso pode ser usado como desculpa?
    Creio que não se deve nunca abrir mão da ética. Querem produzir matérias de repercussão grande? Pois que produzam, mas com fatos! Não se pode aceitar especulações! Se as autoridades são contraditórias e não encontram respostas, que isso seja falado! Não o que “pode” ter acontecido. Mas o que aconteceu e deixa de acontecer…
    As críticas devem ser pesadas sim em casos como este. Claro que a parcela da culpa é em grande parte dos veículos de comunicação, mas, cabe aos jornalistas também fazer com que as notícias tenham impacto com os fatos que se tem. Não era no mínimo preocupante, as autoridades terem tanta dúvida e protelarem tanto uma resposta à sociedade?

  9. Patrícia Dias Cretti Comenta:

    Sobre a matéria de jornalismo cultural, referente as grandes obras literárias acessíveis na internet.
    Realmente não ler, não é mais desculpa para ninguém hoje em dia, na internet se encontram referências, comentários, resenhas, e agora até livros completos para aqueles que acham muito ir até a Biblioteca Pública. Da mesma forma faço uma referência ao apoio a cultura no Paraná, que vejo o quanto cresceu, através de incentivos estudantis, ações solidárias, exposições e peças teatrais desenvolvendo o conhecimento e a inclusão social. A Fundação Cultural do Paraná tem vários projetos acessíveis a todos, de segunda a segunda, falta de cultura não pode ser mais desculpa então. É uma pena que da mesma forma, o jornalismo não dê a real importância a esta área, que em meio a tantos acidentes, artistas, jogos de futebol e política, tem um espaço muito pequeno sempre na pauta jornalística.

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